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Localizado em pleno coração
do Minho, com o Cávado como travessia, Barcelos sempre assumiu
uma posição estratégica na comunicação
entre o litoral e interior, Portugal e Castela. Uma situação
desde sempre privilegiada, e que lhe valeu o protagonismo na
definição da fronteira terrestre entre os dois reinos.
Aliás, graças ao empenho e à diplomacia de
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Barcelos - Concelho
Barcelos é o maior concelho de Portugal, em
número de freguesias. São 89 as freguesias que se
localizam entre os vales dos rios Cávado e Neiva. A dinâmica
do seu povo está reflectida na grandeza do artesanato - cujo
exemplo mais flagrante é o Galo de Barcelos -, mas o concelho
é hoje um produto da sua história, tipicidade e
heranças que se preservam, a que se alia um forte
desenvolvimento económico.
Bem incrustado no coração do Minho, em
Barcelos o visitante pode encontrar, em vários elementos,
atractivos fortes para uma estada demorada.
Além do artesanato, que é imagem de marca
e se reveste de uma importância notória, igualmente o
património arquitectónico merece atenção.
São os casos da Igreja Matriz (século XIII), Torre de
Menagem (século XV), ou o Pelourinho, testemunho da herança
do romano e do gótico. Daqui até à Franqueira
são dois passos. E dali, a vista é extasiante. Dá
calma e paz estender os olhos até ao litoral e saborear o azul
do mar lá longe, ou do verde da montanha da Serra do Gerês.
Barcelos - História
Localizado em
pleno coração do Minho, com o Cávado como
travessia, Barcelos sempre assumiu uma posição
estratégica na comunicação entre o litoral e
interior, Portugal e Castela. Uma situação desde sempre
privilegiada, e que lhe valeu o protagonismo na definição
da fronteira terrestre entre os dois reinos. Aliás, graças
ao empenho e à diplomacia de D. João Afonso nas
negociações do tratado de Alcanises, D. Dinis
constituiu-o "conde donatário vitalício da vila de
Barcelos". Decorria o ano de 1298, e aquela era a primeira vez
que, em Portugal, se atribuía o título de conde com
carácter vitalício e funções públicas.
Nascia então em Barcelos o primeiro condado português,
depois de se ter tornado vila régia pelas mãos de D.
Afonso Henriques e do seu primeiro foral.
Em 1442, D. Afonso - o
8.º conde de Barcelos - viu D. Pedro acrescentar-lhe ao título
de Conde de Barcelos, o de primeiro Duque de Bragança,
aumentando assim os privilégios da vila barcelense.
Lenda do Galo de Barcelos
Ao
cruzeiro setecentista que faz parte do espólio do Museu
Arqueológico de Barcelos, está associada uma curiosa
lenda - A Lenda do Galo de Barcelos.
" ..........
Os Habitantes do Burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda,
por não ter descoberto o autor. Certo dia, apareceu um Galego
que se tornou de imediato suspeito do dito crime, visto que ainda não
tinha sido encontrado o criminoso. As autoridades condais resolveram
prênde-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência ,
ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que
o galego se dirigisse para Santiago de Compostela em cumprimento de
uma promessa como era tradição na época , e
fosse devoto fiel de S. Paulo e da Virgem Santíssima. Por isso
foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o
levassem à presença do juiz que o havia condenado a tal
destino. A autorização foi-lhe concedida, e levaram-no
à presença do dito magistrado, que nesse momento se
deleitava e banqueteava com os amigos . O galego reafirmou a sua
inocência , e perante a incredulidade dos presentes, apontou
para um galo assado que se encontrava no centro de uma grande mesa,
exclamando «« É tão certo eu estar inocente
, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem »»,
perante gargalhadas e risos, não se fizeram esperar , mas pelo
sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia
impossível aconteceu. Quando o peregrino estava a ser
enforcado , o galo ergueu-se na mesa e cantou ! Após tal
acontecimento mais ninguém duvidava da inocência do
Peregrino . O Juiz correu à forca e com espanto vê o
pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso,
impedindo o estrangulamento. O homem foi imediatamente solto e
mandado em paz. Volvidos alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer
um Monumento em Louvor à Virgem e a Santiago....."
Lenda do Milagre das Cruzes
A lenda do
Milagre das Cruzes, muito antiga, está ligada à
aparição de uma cruz acompanhada da figura de Deus, a
um sapateiro Barcelense.
"......O povo fez aparecer, no local da aparição,
uma ermida em honra do senhor da Cruz às costas, venerado numa
imagem que um mercador destas terras trouxe de Flandres. A lenda
entretanto explica de outro modo a presença da imagem .
Segundo a tradição o Senhor da Cruz era irmão
dos Senhores de Matosinhos e de Fão os quais teriam sido
lançados à água em terras distantes. A corrente
tê-los-ia lançado um à praia de Matosinhos, outro
à de Fão e o terceiro teria subido o Cávado de
onde teria sido recolhido por almas piedosas que o levaram até
Barcelos , dando-lhe aconchego na ermida do Senhor da Cruz, de onde
nunca mais foi demovido...."
Lenda do Areal de Caíde
Reza a
tradição que esta lenda advêm dos seguintes
factos:
"......Ao sul da Barragem de Penide, na freguesia
de Areia de Vilar, estende-se um enorme areal, com fama de Ter sido
outrora uma Quinta, cujo dono, mau e severo, a deixou em legado a uma
matilha de cães. Mas por castigo de Deus o rio " a levou"
, reduzindo o sitio a um extenso areal a que ficou a Quinta foreira
aos cães..."
Lenda do Areal de Caíde
Reza a
tradição que esta lenda advêm dos seguintes
factos:
"......Ao sul da Barragem de Penide, na freguesia
de Areia de Vilar, estende-se um enorme areal, com fama de Ter sido
outrora uma Quinta, cujo dono, mau e severo, a deixou em legado a uma
matilha de cães. Mas por castigo de Deus o rio " a levou"
, reduzindo o sitio a um extenso areal a que ficou a Quinta foreira
aos cães..."
Lenda do Frade e o Passarinho
Reza a
tradição que :
"... Em tempos muito afastados
aconteceu de um frade, enquanto rezava o ofício no côro,
Ter a sua atenção despertada pelo seguinte versículo
da Salmódia : «« Mil anos à vista de Deus
são como o dia de ontem que já passou »».
Não entendia o frade o significado , pelo que, no fim orou com
mais fervor a Deus para que lhe fizesse entender. Saindo do côro
e ao passar no claustro do convento, ouviu o canto de um passarinho
que o fez parar.
Em breve aquela avezinha se mudou, pelo que o
monge a seguiu na esperança de a poder ouvir por mais um
tempo, o seus aprazíveis cantos. Já um pouco afastado,
perdeu de vista a ave que o encantara, facto que lhe causou muita
tristeza e exclamou « Óh passarinho da minha alma, que
tão belo e tão breve foi o teu cantar !».
Em
seguida regressou ao convento, porém reparou que a porta já
não era no mesmo sítio. Achou tudo demasiado diferente
e, ao bater, até o guardião do convento lhe parecia
extremamente diferente:
- Quem bate e o que deseja, perguntou-lhe
o Guardião ?
- Responde o Frade « Um irmão e
humilde frade deste convento.
- Como, se cá não
falta ninguém - respondeu o guardião
- Falta sim
ainda à nadinha saí no encalço de um passarinho,
cujo o canto eu quis ouvir.
Segui-o até à orla da
mata e, tão logo se calou, me tornei ao convento. Como pois
não me conheceis? ! É verdade também não
vos conheço !!
Foi o porteiro chamar o D. Abade a quem
narrara, intrigado o caso. Este não se surpreendeu menos e
postos a desvendar o mistério, consultando livros e registos,
deles constava o desaparecimento de um frade, mas sobre o qual já
haviam passado 300 anos. Nunca mais dele houvera rastos ou noticias.
Foi então que por mais diligências, concluíram.
Ter sido aquele para quem miraculosamente trezentos anos se passaram
num momento. Assim ele compreendeu que para deus não há
diferença de tempo.
Lenda " Os Principais de Vilar de Figos"
Como lenda contamos um facto relacionado com o Castelo de Faria e
que dera aos habitantes de Vilar de Figos o honroso apelido de
principais. Sabe-se que em velhos registos da paróquia esse
designação existe, embora se desconheça a
extensão dela, isto é , se para todos os habitantes ou
para descendentes apenas dos velhos "principais"
".....
O caso foi que os árabes se apossaram, em tempos remotos do
castelo. Os cristãos tentavam a conquista tornada impossível
pelo denodo com que os sitiados se defendiam. Recorreu-se então
ao estratagema que a luminosa ideia do povo de Vilar de Figos
suscitou: pelos campos e encosta daquele lado fariam subir, de noite,
um grande rebanho de cabras ( Podiam ser mesmo carneiros ) com
luminárias atadas aos chifres. Se bem o pensaram, melhor o
fizeram.
Os árabes notaram pela noite escura , aquela
aproximação de tanta gente que vinha, por certo em
reforço dos sitiantes. Perante a superioridade provada do
inimigo abandonaram o castelo e foram-se.
E assim, porque os
moradores dessa freguesia mais contribuíram para a tomada do
castelo, ficaram a ser conhecidos e nomeados por os Principais de
Vilar de Figos.
Lenda do Penedo do Ladrão
Cerca de
uns 3 Km de Abade de Neiva , quando a estrada atinge o ponto mais
elevado da Subida, entra numa garganta formada pelo monte de S.
Mamede e pela Portela do Ladrão.
Desviando nesta garganta e
subindo uns metros do monte, acharemos a célebre memória
do penedo assim chamado. É um grande bloco de granito com uma
espécie de reentrância no cimo, assemelhando-se a uma
cama, e de onde o ladrão que o baptizou vigiava a presa.
Segundo a lenda :
"...... O malogrado gatuno
da triste memória: sucumbiu ás mãos do sexo
fraco. Uma mulher ia de cesto à cabeça levar o almoço
ao homem, em trabalhos nas proximidades quando lhe saiu o ladrão.
Ela que mal ganhara para o susto, ofereceu-lhe a única coisa
que lhe ocorreu e parecia aceitável no momento - a cabaça
do vinho. O ratuço não se mostrou de cerimónias
e, aproveitando a oferta, começou por entornar regaladamente
nas goelas sedentas o vinho da cabaça. A mulher, rápida
que nem um Gamo, enterrou a faca do pão no pescoço do
valente que por certo já teria enfrentado perigos maiores...."
Lenda acerca da Ponte
O povo na ingénua
crendice atribuía à ponte sobre o Cávado
virtudes obstétricas ou, mais claro, concessão de
facilidade e segurança nos partos.
"......Era em seu entender, castigo, praga ou má
olhadura, de pessoas malfazejas, o caso de certas mulheres não
vingarem capazmente os frutos do seu ventre. Estes desde que as mães
fossem vitimas de tais malefícios, durariam pouco, após
o nascimento. Era certo que logo nos primeiros dias de lactação,
iriam para os anjinhos. Verificado o caso de uma vez para outra,
resolvia-se proceder a um baptismo especial. Em vésperas de
novo parto, o homem e a mulher dirigiam-se à ponte , esperando
aí até ao bater da meia-noite. Nessa hora azada,
convidado o padrinho, o primeiro transeunte, procediam , servindo-se
de um ramo de oliveira e de água comum, à espersão
do ventre materno. Posteriormente acreditava-se que a criança
viria a nascer robusta e saudável, atingindo infalivelmente a
idade proveta se passasse os 80 anos, o que aliás acontecia
sempre que fizesse boas digestões durante 30 mil dias. É
só fazer os cálculos....."
Lenda da Cobras Mouras
Ao penedo do Monte da
Saia anda associada uma crença, que nos diz que os
pré-históricos, guardaram dentro do penedo um tesouro
em ouro. Para ter acesso a este, terá que se ler o livro de
S.Cipriano de "lés a lés" sem parar, se
conseguir tal feito o penedo abre-se e o tesouro fica na posse do
feliz contemplado. Caso contrário as "Cobras" mouras
,guardiãs do tesouro poderão por cobro à vida do
dito candidato. O aparecimento de cobras de enormes dimensões,
deram ainda mais aso a esta crença. (Segundo relatos
populares).
Lenda do Barbadão
Segundo o relato de
D. Domingos J. Pereira (in "Memória Histórica da
Villa de Barcelos", 1867, p.51), a figura gravada em pedra
representando uma cara com grandes barbas e umas mãos puxando
por elas, que se situa na torre virada a Sul do Solar dos Pinheiros,
logo debaixo da cornija do telhado, virada ao Palácio dos
Duques, tem associada a si uma simbologia que se revessa em duas
vertentes, fruto do imaginário popular.
Uma diz que a
imagem representa Tristão Gomes Pinheiro "enraivecido
contra o Duque D. Afonso, por este lhe embargar a obra da sua casa
solar e não lhe deixar altear mais as torres dela, para não
lhe devassar os Paços Ducais".
Uma outra tradição,
bem mais simbólica e romanceada, diz-nos que aquele Barbadão
significa "Tristão Gomes Pinheiro protestando vingança
contra um Cavaleiro dos Paços dos Duques que manchara a fé
da sua filha".
Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida, a
iconografia dá muitas vezes origem a lendas, porque o povo,
bem ou mal, nada deixa por explicar. E esta dinâmica e
imaginário popular, que vinca as diferenças e riqueza
de cada sítio, local ou região, acaba por enriquecer a
nossa cultura e tradição.
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